Recife, cidade da noite clara,
da brisa quente,
de ruas fétidas,
com muitos bares,
de moças bonitas.
Recife, tem poetas bêbados,
muitos amigos,
música não falta,
ônibus demora.
Recife, cidade antiga,
com ruas estreitas,
calçadas quebradas,
muros pichados,
mendigos dormindo,
crianças roubando.
Recife, das perigosas pontes
que cortam os rios poluídos do mangue efêmero com ratos gigantes.
Recife da Aurora, do Sol,
Do Príncipe, da Princesa,
Do Conde, do Visconde,
Do Conselheiro, do Governador.
Recife da fome, da lama, do caos,
Das prostitutas baratas das praças centrais.
Recife, não vejo mais bela
Talvez o sorriso de minha amarela
Olhando pra mim
Na noite mais quente
Com a brisa mais clara.
